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domingo, 20 de outubro de 2013

GNT: Derick Lecouflé, o garoto de 'Sessão de terapia', sobre Selton Mello: 'É meu padrinho'


Caçula de um elenco que reúne Zécarlos Machado, Selma Egrei e Bianca Comparato, entre outros atores experientes, Derick Lecouflé, de 14 anos, estreou em “Sessão de terapia” sem nunca ter feito uma aula de interpretação. No ar como o paciente Daniel na série do GNT, ele contou apenas com a ajuda da irmã de 8 anos para decorar os textos. Teve como grandes aliados a disciplina e a dedicação a que já estava acostumado desde cedo, como cantor de coral e integrante da banda de fanfarra do colégio onde estuda, em São Bernardo do Campo (SP).

— Não tive acompanhamento de psicólogo ou coach. Pedi para a Karina (a irmã) ler a parte do Theo (Zécarlos Machado) e eu entrava com as minhas falas — conta Derick, que passou por três testes até conquistar o papel. — Foi difícil entender como o personagem se sente com a briga dos pais separados e achar o tom certo de algumas cenas. Mas acho que me saí bem.

Derick ensaiou por um mês antes de entrar no estúdio para valer. O tempo de preparação não foi capaz de diminuir a ansiedade de ser dirigido por Selton Mello.

— Quando fui gravar pela primeira vez pensei: ‘Estou frito’. Senti que não ia sair nada, mas, depois da primeira cena, achei mais fácil do que imaginava. Selton disse que vou estourar. Gosto muito dele, é meu padrinho. Quero manter essa relação para o resto da vida, pois foi uma das melhores coisas que me aconteceram.

Com todos os episódios da atração já gravados, o primogênito do casal Karin e Mark (ao todo, são quatro irmãos) pretende entrar para uma escola de teatro no ano que vem. E torce para voltar na terceira temporada, já confirmada pelo canal, com novos dramas do personagem, filho de Ana (Mariana Lima) e João (André Frateschi).

Enquanto não tem uma definição sobre o próximo trabalho, o garoto segue a rotina de estudos no 9º ano do ensino fundamental e não abre mão dos momentos de lazer ao lado dos amigos, com quem costuma ir ao cinema, jogar videogame e disputar partidas de futebol.

— Sempre sonhei em ser ator, embora tenha começado pela música. Tomara que seja o primeiro trabalho de muitos.

Patrícia Kogut

Espero que gostem.
ME

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

COLUNA: A estreia de ‘Sessão de terapia’




Impossível assistir aos primeiros episódios de “Sessão de terapia”, que estreia esta noite às 22h30m no GNT, e não se deixar tocar por Cláudio Cavalcanti — o paciente de terça-feira. Os motivos são os óbvios: a morte do ator que fez história na televisão é uma lembrança que se impõe na cena. Além disso, chama a atenção a qualidade do trabalho dele como Otávio, um empresário com todas aquelas características agressivas de um vencedor na profissão, mas que se vê derrotado por sintomas inesperados de síndrome do pânico. O resultado emociona. Na sua primeira aparição, a dono do mundo arrogante vai se desmontando aos poucos, em pequenos gestos. As palavras têm menos peso ainda do que a linguagem corporal, reveladora de um ator que domina a técnica e entrega o coração.

“Sessão de terapia” abre hoje com Bianca Comparato. A estudante de arquitetura Carol, nova paciente de Theo (Zecarlos Machado), lá pelo meio da primeira visita, começa a contar aos poucos o que a trouxe: a descoberta de uma doença. O momento da revelação é exemplar do bom ritmo do programa. A série é lenta, mas enreda o espectador através de uma teia de tensão que vai se abrindo de forma despercebida, sutil. Não se pode deixar de destacar o desempenho de Bianca, uma jovem atriz que a cada papel se reafirma como uma das melhores de sua geração.

Bem fotografada e com foco no trabalho dos atores, “Sessão de terapia” navega em alguns chavões de divã, como a caixa de lenços de papel, um objeto de cena sempre destacado com closes. Isso, no entanto, não reduz o programa a um surrado “Freud explica”. Porque o que interessa e atrai é o panorama que está além do que se passa no consultório. São acontecimentos abstratos, que surgem apenas através dos relatos.

É a antitelevisão tal qual a enxergamos. Mesmo que Selton Mello, com sua direção exata e sensível, lance mão de uma bela fotografia e as câmeras se movimentem na temperatura do que dizem os pacientes, a bandeja vem carregando apenas narrações. Não há paisagens reais nem grandes possibilidades de enquadramento. É preciso capturar e transmitir a emoção no detalhe da respiração, nas pausas, no som dos lábios se descolando antes de uma frase reveladora. Com tudo isso bem realizado, “Sessão de terapia” segue um programa de televisão muito original e bem-sucedido.
Patrícia Kogut

Espero que gostem.
ME